Lá fora a coisa andou movimentada. Dentre os medalhões,
o maior destaque fica pro Bob Dylan, encerrando a tri-
logia que o ressuscitou com chave de ouro(se é que era
uma trilogia). Modern Times é um disco que remete pro
que de melhor ele já fez (Highway 61, Blonde on Blonde,
Blood on the Tracks), mas tem um pé fincado nesse come-
ço de século. E não tô falando da referência à Alicia
Keys. Nem das poucas alusões políticas do disco. É que
ele têm um clima de urgência, de fim de festa, de so-
ciedade decadente. Mas talvez isso o fizesse soar com-
temporâneo em qualquer outro momento da história.
Dylan parece um profeta arcano, bardo de priscas eras,
mesmo quando se dirige à pessoa amada sua voz e suas
letras têm um peso,uma gravidade que dá sentido a toda
essa balbúrdia que nos envolve.
Se Dylan terminou uma trilogia, Tom Waits lançou uma
completa de uma só vez. Orphans: Brawlers, Bawlers and
Bastards é uma compilação de material disperso em dis-
cos dos outros, músicas antigas retrabalhadas, e mate-
rial novo. É impressionante. Pouca gente seria capaz
de lançar um trabalho tão excessivo, tão diversificado,
tão pretensioso, e corresponder na qualidade. As três
categorias de orfãos se dividem em Brawlers, que contém
um Tom Waits com quem estamos mais acostumados, aquele
de Rain Dogs, com seus blues tortos, rocks básicos,
sempre com aqueles elementos de estranheza que fazem
seu estilo único. Bawlers remete mais ao Tom de início
de carreira, mais clássico, crooner, se embrenhando
dentro da canção americana e destrinchando suas entra-
nhas, aqui ele soa como um Satchmo mais tosco e visce-
ral, rascante, falando de seus personagens perdedores
e decadentes. Já Bastards, traz uma linha mais experi-
mental, reunindo experiências com hip-hop e um beatbox
muito doido,leitura de prosa e poesia de Bukowski e
Kerouac e até uma piada.
Os Strokes lançaram um disco meia-boca, First Impres-
sions of Earth. Têm três, quatro músicas do caralho
(as primeiras) e o resto do álbum é meio que pra encher
linguiça. Ouvir o disco inteiro é um martírio. Não que
as músicas sejam uma merda, mas são tão sem sal que
no fim aborrecem. O Casablancas parece que canta com
uma eterna diarréia, falta força. Uma ou duas vai bem
mas quando vai chegando na sexta, sétima, fica insu-
portável. Talvez devesse ouvir o disco pelo fim pra
dar uma chance pras outras faixas. Tô falando mal, mas
não é nem tão ruim. É que gosto da banda e o disco
podia ser melhor.
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