segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Vá de Retro -- Retrospectiva 2006 -- Gringa II

Pearl Jam -- O disco do abacate partido ao meio. Ia verdadeiramente falar mal
desse disco. Ouvi-o no meio do ano, em meio à minha descoberta do incrível
mundo do compartilhamento de MP3s, à meio caminho de ouvir uma porada
de coisas antes inacessíveis e meio de mau humor. Achei na época meio xôxo,
meia boca, fraco. Fui ouvir de novo pra escrever essa postagem e a visão foi
outra. O disco é bom pacas. Pesado, altos riffs, conciso, preciso. Vedder nos
mostra que é de fato o melhor vocalista de arena que o rock pós grunge pro-
duziu. Gossard e McCready ainda se mostram afiados. Começa avassalador
e só esfria lá pela sexta, Parachutes. Deve ser mau do name, a do Coldplay
também é palha. A seguinte também é fraca, depois volta ao normal, até che-
gar numa puta balada: Gone. Segue impecável até o final, a suave melancolia
de Inside Job. Volta à forma.

Belle and Sebastian -- The Life Pursuit -- O mesmo B & S de sempre ou
quase. Dessa vez um pouco mais solar. Bem menos melancólico que o nor-
mal, mas ainda com belas melodias tristes (Dress up in you, Mornington
Crescent). E experimentando com sonoridades novas, um glam aqui, uma
distorção acolá, um ar de felicidade lá. Muita gente torceu o nariz, acho que
eles apenas dosaram um pouco mais os ingredientes. Gosto dessa nova fase.

Sonic Youth -- Rather Ripped -- Depois de discos dispersivos, esparramados,
com experimentalices que iam até a sonolência, eles lançam o que talvez
seja seu album mais acessível. As distorções e microfonias ainda estão lá,
mas outra vez integradas às canções, como nos bons dias de Goo, Dirty e
Sister, só pra ficar nos discos de títulos curtos. Novamente um quarteto (Jim
o'Rouke saiu) eles soam mais concisos e incisivos.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Vá de Retro -- Retrospectiva 2006 -- Gringa

Lá fora a coisa andou movimentada. Dentre os medalhões,
o maior destaque fica pro Bob Dylan, encerrando a tri-
logia que o ressuscitou com chave de ouro(se é que era
uma trilogia). Modern Times é um disco que remete pro
que de melhor ele já fez (Highway 61, Blonde on Blonde,
Blood on the Tracks), mas tem um pé fincado nesse come-
ço de século. E não tô falando da referência à Alicia
Keys. Nem das poucas alusões políticas do disco. É que
ele têm um clima de urgência, de fim de festa, de so-
ciedade decadente. Mas talvez isso o fizesse soar com-
temporâneo em qualquer outro momento da história.
Dylan parece um profeta arcano, bardo de priscas eras,
mesmo quando se dirige à pessoa amada sua voz e suas
letras têm um peso,uma gravidade que dá sentido a toda
essa balbúrdia que nos envolve.

Se Dylan terminou uma trilogia, Tom Waits lançou uma
completa de uma só vez. Orphans: Brawlers, Bawlers and
Bastards é uma compilação de material disperso em dis-
cos dos outros, músicas antigas retrabalhadas, e mate-
rial novo. É impressionante. Pouca gente seria capaz
de lançar um trabalho tão excessivo, tão diversificado,
tão pretensioso, e corresponder na qualidade. As três
categorias de orfãos se dividem em Brawlers, que contém
um Tom Waits com quem estamos mais acostumados, aquele
de Rain Dogs, com seus blues tortos, rocks básicos,
sempre com aqueles elementos de estranheza que fazem
seu estilo único. Bawlers remete mais ao Tom de início
de carreira, mais clássico, crooner, se embrenhando
dentro da canção americana e destrinchando suas entra-
nhas, aqui ele soa como um Satchmo mais tosco e visce-
ral, rascante, falando de seus personagens perdedores
e decadentes. Já Bastards, traz uma linha mais experi-
mental, reunindo experiências com hip-hop e um beatbox
muito doido,leitura de prosa e poesia de Bukowski e
Kerouac e até uma piada.

Os Strokes lançaram um disco meia-boca, First Impres-
sions of Earth. Têm três, quatro músicas do caralho
(as primeiras) e o resto do álbum é meio que pra encher
linguiça. Ouvir o disco inteiro é um martírio. Não que
as músicas sejam uma merda, mas são tão sem sal que
no fim aborrecem. O Casablancas parece que canta com
uma eterna diarréia, falta força. Uma ou duas vai bem
mas quando vai chegando na sexta, sétima, fica insu-
portável. Talvez devesse ouvir o disco pelo fim pra
dar uma chance pras outras faixas. Tô falando mal, mas
não é nem tão ruim. É que gosto da banda e o disco
podia ser melhor.