sábado, 8 de janeiro de 2011

O pior clip de 2010! Ou não?

Parece que inicialmente esse Party With Children, do Ratatat, foi lançado apenas como um pré-video, uma degustação antes que saísse o clip oficial. Resumia-se simplesmente a um periquito albino, fazendo nada, em frente à uma tela verde. Um dos clips mais chatos e preguiçosos já feitos. Mas o que era pra ser uma promo saiu de controle e as pessoas começaram a fazer suas próprias versões do clip substituindo o fundo verde por cenários diversos.
Se a intenção original era criar um viral não se sabe. O fato é que alguns remixes ficaram bem boas e o tal do clip oficial não saiu. E o que era pra ser o pior clip de 2010 tranformou-se numa das mais interessantes experiências de interatividade do ano.

Ratatat - Party With Children


Psicodélico


With Children


Bobsled


Alto-Falante

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Vá de Retro - Os melhores Videoclips de 2010 II

Segunda parte dos melhores clips de 2010:

07
The Books - A Cold Freezin' Night


Ah, as crianças doces e inocentes... Ameaçando matar um ao outro? Depois de cinco anos o The Books solta mais uma de suas colagens, utilizando as mais obscuras fontes de sons. E de imagens. O que eles fazem no plano sonoro, repetem no visual. Reciclagem de um material que normalmente ninguém dá a menor bola, vídeos caseiros, institucionais, video aulas de golfe, de meditação, propagandas e tudo mais que conseguem enxergar como interessantes na montanha de lixo audiovisual despejado ao longo da história. Outra colagem nonsense bem comentada esse ano foi a do El Guincho, mas prefiro essa quase assustadora brincadeira de criança com sua montagem epiléptica e os grafismos infantis se sobrepondo às imagens.


06 Monsters of Folk - Dear God (Lauri Faggioni)


A doce canção espiritual do Monsters of Folk ganha imagens à altura nesse clip inspirado no curta Powers of Ten. A câmera vai do infinito estelar até as profundezas do átomo em sua busca de Deus. E vemos que o infinitamente grande não é tão diferente assim do infinitamente pequeno.A versão do The Roots para a mesma música ganhou um clip taxi driver bem interessante também.


05 Two Door Cinema Club - Come Back Home (Nicholas Bentley)


Três histórias paralelas correndo em split screen e se repetindo em três diferentes versões. Me lembrou do clássico vídeo que Michel Gondry dirigiu pro Cibo Mato.



04 Cee-Lo - Fuck You (Matthew Stawski)


Certamente a música de 2010 que mais vai ser lembrada não podia ter um vídeo menos memorável. Passado numa daquelas lanchonetes tipicamente americana, o clip vai seguindo Cee-Lo desde a infância até a maturidade tendo sue coração partido pela sua amada até o final quando os papéis se invertem e ele vai dizendo suas doces palavras para ela ao longo do clip. Delícia retrô. Ainda fez dois outros clips bacanas esse ano: aqui e aqui.

03 Ariel Pink's Haunted Graffiti - Round and Round (Wayne Coyne)


Uma das vertentes do videoclip nos últimos anos têm sido a utilização de poucos recursos ou a reciclagem de vídeos antigos (ver o número ). Esse ano, o lo-fi atingiu o ápice nesse vídeo do Ariel Pink dirigido pelo Wayne Coyne do Flaming Lips. Imagens capturadas por um celular processadas pelo colaborador de longa data dos Lips, George Salisbury , mais uma bacia de leite doado por 30 mulheres e que não diz a que veio. Outros lo-fi clips aqui e aqui.


02 M.I.A. - Born Free (Romain Gravas)


Esperta essa MIA. Um discurso politíco confuso e oportunista em que se coloca como defensora dos pobres do terceiro mundo, uma música em que tenta misturar vários estilos para apresentar um produto moderno e descolado e agora, para gerar mais atenção paro o seu trabalho, chama um diretor que já havia feito um clip polêmico e violento antes. E deu certo. Sob a égide do Suicide, MIA comete uma de seus melhores trabalhos, e o estado policialesco que o Romain Gravas cria no clip só potencializa a urgência e o teor explosivo da música. A violência foi tema muito usado em 2010, seja numa forma quase infantil, seja mais alegórica ou gráfica, mas ficou difícil de bater o trabalho do filho do renomado diretor Costa-Gravas. Conduzido como fosse um curta-metragem, a música vai pontuando os momentos mais tensos na história da perseguição e extermínio dos ruivos. Tensão no talo e uma explosão para não esquecer.


01 Arcade Fire - The Wilderness Downtown (Chris Milk)

O melhor clip do ano não pode ser postado aqui. É uma experiência única, individual e que extrapola as fronteiras da linguagem videocliptíca, tirando-a definitivamente das restrições da tv e jogando-a na web. Clique no link acima e faça sua própria versão.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vá de Retro - Os melhores Videoclips de 2010 I

13 - Miracles Club - Church Song (judesays)


Mais um clipe com gente desengonçada dançando? Mais um clip emulando os anos 80?
São temas que parecem nunca cansar os realizadores. Tivemos ainda o Twin Shadow, na parte dos sem-jeito e o ressuscitado Bruce Haack reciclando uma festinha gravada em vhs nos anos 80. Mas meu preferido é esse aí de cima, posso jurar que conheci alguns desses caras, back in the days. Fora, que ainda têm uma cabra dançarina!


12 - Ok Go - This Too Shall Pass (James Frost)


As coreografias engraçadinhas já deram no saco, e até eles já perceberam isso. Qualquer bandinha de fundo de quintal faz a sua e até o Michel Gondry fez algo parecido, no que foi a decepção "videoclíptica" do ano. As Rube Goldbergs Machines não são novidade nem no mundo dos vídeo clips, mas o que os caras fizeram aqui foi leva-las ao paroxismo. Uma sucessão de cenas filmadas em plano sequência que faria sorrir os velhos surrealistas. Já que não dá pra ser famoso pela música, ao menos pelos vídeo clips.


11 - Tame Impala - Lucidity (Robert Hales)


Muitas vezes basta uma idéia simples e genial. Uma câmera num balão. Conforme ele se afasta e se movimenta ao sabor dos efeitos de velocidade da edição vai formando uma miríade de imagens psicodélicas que se encaixam perfeitamente à música. Estaria mais à frente em minha lista se uma família americana não tivesse tido a mesma ideia antes.


10 - The Black Keys - Tighten Up (Chris Marrs Piliero)


Por mais que esteja saturado, um clip com crianças fofas não tem como dar errado. Crianças sofrendo de desilusão amorosa então, é batata. Se você consegue dar um viés irônico à coisa, com crianças se comportando como adultos e adultos se comportando como crianças tendo de fundo uma das músicas do ano, é chute certeiro, sem chance de defesa.


09 - Erykah Badu - Window Seat (Coodie & Chick)


Esqueça toda a polêmica e a questão política. Pra mim não ficou claro exatamente o que a dona Badu quis dizer ao caminhar pelas ruas de Dallas onde JFK foi assassinado enquanto ia deixando as peças de seu vestuário pelo caminha até chegar à nudez total. Esqueça essa baboseira. O clip está aqui pelo que é, um striptease. Tivemos esse ano uma briga de mulheres de biquíni à beira da piscina e um clipe não oficial do Maximum Baloon muito melhor que o oficial com a Deisy Lowe toda rebolativa em trajes sumários. Ainda assim esse da Erykah Badu ganha, mesmo por que, redefine valores: eu que sempre a achei magricela tive que rever minha opinião. Que rabão! Pena o desfoque...


08 - Monbojó - Papapa (Fernando Sanches)


Tinha que ter um nacional, né? E na verdade foi um bom ano para os clips nacionais. Quase tão bom quanto esse têm o do Skank. E um punhado de outros clipes de bons emuladores de Arcade Fire, Travis, Sigur Ros, Beirut, Los Hermanos, Vampire Week-End. Só que a mistura de sapos dançantes, coreografia ok-go, uniformes changeman, e geladeira tranformer é irresistível.

Retomada

Após longo recesso e depois de insistentes pedidos de meus dezessete leitores (imaginários), tento voltar com o blog, tentando ser mais constante nas minhas postagens (que ninguém tome isso como ameaça). Já se disse que o ócio é a mãe de todos os males. Ou será que falaram da preguiça. Mais provável, já que ócio é masculino, e no caso tinha que ser o pai. Não importa. O caso é que, desempregado, fudido e mal pago, resolvi me vingar da sociedade podre dando prosseguimento a esse blog (mais um blog musical, porra?) e aumentando mais um pouco a quantidade informação inútil na rede. Como três anos atrás dei as primeiras resfolegadas com uma retrospectiva de 2006, apropriado que eu retome com nova série de bestoffs, desta vez de 2010. Vamos às generalidades:

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Vá de Retro -- Retrospectiva 2006 -- Gringa II

Pearl Jam -- O disco do abacate partido ao meio. Ia verdadeiramente falar mal
desse disco. Ouvi-o no meio do ano, em meio à minha descoberta do incrível
mundo do compartilhamento de MP3s, à meio caminho de ouvir uma porada
de coisas antes inacessíveis e meio de mau humor. Achei na época meio xôxo,
meia boca, fraco. Fui ouvir de novo pra escrever essa postagem e a visão foi
outra. O disco é bom pacas. Pesado, altos riffs, conciso, preciso. Vedder nos
mostra que é de fato o melhor vocalista de arena que o rock pós grunge pro-
duziu. Gossard e McCready ainda se mostram afiados. Começa avassalador
e só esfria lá pela sexta, Parachutes. Deve ser mau do name, a do Coldplay
também é palha. A seguinte também é fraca, depois volta ao normal, até che-
gar numa puta balada: Gone. Segue impecável até o final, a suave melancolia
de Inside Job. Volta à forma.

Belle and Sebastian -- The Life Pursuit -- O mesmo B & S de sempre ou
quase. Dessa vez um pouco mais solar. Bem menos melancólico que o nor-
mal, mas ainda com belas melodias tristes (Dress up in you, Mornington
Crescent). E experimentando com sonoridades novas, um glam aqui, uma
distorção acolá, um ar de felicidade lá. Muita gente torceu o nariz, acho que
eles apenas dosaram um pouco mais os ingredientes. Gosto dessa nova fase.

Sonic Youth -- Rather Ripped -- Depois de discos dispersivos, esparramados,
com experimentalices que iam até a sonolência, eles lançam o que talvez
seja seu album mais acessível. As distorções e microfonias ainda estão lá,
mas outra vez integradas às canções, como nos bons dias de Goo, Dirty e
Sister, só pra ficar nos discos de títulos curtos. Novamente um quarteto (Jim
o'Rouke saiu) eles soam mais concisos e incisivos.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Vá de Retro -- Retrospectiva 2006 -- Gringa

Lá fora a coisa andou movimentada. Dentre os medalhões,
o maior destaque fica pro Bob Dylan, encerrando a tri-
logia que o ressuscitou com chave de ouro(se é que era
uma trilogia). Modern Times é um disco que remete pro
que de melhor ele já fez (Highway 61, Blonde on Blonde,
Blood on the Tracks), mas tem um pé fincado nesse come-
ço de século. E não tô falando da referência à Alicia
Keys. Nem das poucas alusões políticas do disco. É que
ele têm um clima de urgência, de fim de festa, de so-
ciedade decadente. Mas talvez isso o fizesse soar com-
temporâneo em qualquer outro momento da história.
Dylan parece um profeta arcano, bardo de priscas eras,
mesmo quando se dirige à pessoa amada sua voz e suas
letras têm um peso,uma gravidade que dá sentido a toda
essa balbúrdia que nos envolve.

Se Dylan terminou uma trilogia, Tom Waits lançou uma
completa de uma só vez. Orphans: Brawlers, Bawlers and
Bastards é uma compilação de material disperso em dis-
cos dos outros, músicas antigas retrabalhadas, e mate-
rial novo. É impressionante. Pouca gente seria capaz
de lançar um trabalho tão excessivo, tão diversificado,
tão pretensioso, e corresponder na qualidade. As três
categorias de orfãos se dividem em Brawlers, que contém
um Tom Waits com quem estamos mais acostumados, aquele
de Rain Dogs, com seus blues tortos, rocks básicos,
sempre com aqueles elementos de estranheza que fazem
seu estilo único. Bawlers remete mais ao Tom de início
de carreira, mais clássico, crooner, se embrenhando
dentro da canção americana e destrinchando suas entra-
nhas, aqui ele soa como um Satchmo mais tosco e visce-
ral, rascante, falando de seus personagens perdedores
e decadentes. Já Bastards, traz uma linha mais experi-
mental, reunindo experiências com hip-hop e um beatbox
muito doido,leitura de prosa e poesia de Bukowski e
Kerouac e até uma piada.

Os Strokes lançaram um disco meia-boca, First Impres-
sions of Earth. Têm três, quatro músicas do caralho
(as primeiras) e o resto do álbum é meio que pra encher
linguiça. Ouvir o disco inteiro é um martírio. Não que
as músicas sejam uma merda, mas são tão sem sal que
no fim aborrecem. O Casablancas parece que canta com
uma eterna diarréia, falta força. Uma ou duas vai bem
mas quando vai chegando na sexta, sétima, fica insu-
portável. Talvez devesse ouvir o disco pelo fim pra
dar uma chance pras outras faixas. Tô falando mal, mas
não é nem tão ruim. É que gosto da banda e o disco
podia ser melhor.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Vá de Retro -- Retrospectiva 2006 -- Nacional II

Fora as vetustas vestais Chico e Caetano, outra (ao caminho de se tornar
uma) que lançou disco novo foi Marisa Monte. Dois, aliás. Um disco de
samba que soa pop, e um disco de pop que soa samba. MM é uma das
poucas artistas que realizam uma obra que já é percebida como clássica
no seu lançamento (outro é o Arnaldo Antunes, mas ainda não ouvi o
Qualquer).

O Skank continua sua jornada rumo à Inglaterra e pra dentro da mineiri-
ce. Britpop e Clube da Esquina. Todavia sem o brilho dos álbuns anterio-
res. Puta produção, cuidado com cada detalhe, cada arranjo, sofisticação,
mas não conseguiram dessa vez produzir algo que causasse o deslum-
bramento de Três Lados, Dois Rios ou Balada do Amor Inabalável, pra
arrebanhar público, crítica e tudo mais. A que chega mais perto é Uma
Canção..., ainda assim um belo disco.

No mais, as novidades:
Moptop -- emuladores de Strokes, tocam bem, alguns bons riffs, mas
falta originalidade e pegada.
Cansei de Ser Sexy -- Talvez devesse ser comentada na parte internacio-
nal. É até bacaninha, a japinha é uma bonequinha gostosa, mas muito
hype por pouco.
Mombojó -- Mangue Bit numa chave mais eletrônica, mais melancólica
e mais "artistíca". Alterna momentos inspirados com outros sonolentos,
mas é uma das promessas.