segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Vá de Retro -- Retrospectiva 2006 -- Nacional II

Fora as vetustas vestais Chico e Caetano, outra (ao caminho de se tornar
uma) que lançou disco novo foi Marisa Monte. Dois, aliás. Um disco de
samba que soa pop, e um disco de pop que soa samba. MM é uma das
poucas artistas que realizam uma obra que já é percebida como clássica
no seu lançamento (outro é o Arnaldo Antunes, mas ainda não ouvi o
Qualquer).

O Skank continua sua jornada rumo à Inglaterra e pra dentro da mineiri-
ce. Britpop e Clube da Esquina. Todavia sem o brilho dos álbuns anterio-
res. Puta produção, cuidado com cada detalhe, cada arranjo, sofisticação,
mas não conseguiram dessa vez produzir algo que causasse o deslum-
bramento de Três Lados, Dois Rios ou Balada do Amor Inabalável, pra
arrebanhar público, crítica e tudo mais. A que chega mais perto é Uma
Canção..., ainda assim um belo disco.

No mais, as novidades:
Moptop -- emuladores de Strokes, tocam bem, alguns bons riffs, mas
falta originalidade e pegada.
Cansei de Ser Sexy -- Talvez devesse ser comentada na parte internacio-
nal. É até bacaninha, a japinha é uma bonequinha gostosa, mas muito
hype por pouco.
Mombojó -- Mangue Bit numa chave mais eletrônica, mais melancólica
e mais "artistíca". Alterna momentos inspirados com outros sonolentos,
mas é uma das promessas.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Vá de Retro -- Retrospectiva 2006 -- Nacional

Ano fraco de bons discos. Nada muito marcante.
Dentre os medalhões o único barulho foi causado pela crise de meia-idade de
Caetano Veloso que, retomando a aspereza, a inquietação, o furor novidadei-
ro que o fez se ligar em Hendrix, reggae, Black Rio, Cazuza, antes que a
maioria fez um disco que o coloca novamente no cenário da MPB como
artista relevante digno de reflexão. Fica pra trás a fase de releituras dos
cancioneiros latino e americano.

Na primeira audição parece uma caricatura, um coroa recém descasado
querendo se passar por garotão, esculhambar a ex (com classe e carinho),
e mostrar vigor pra mostrar que ainda tá vivo, doido pra comer buceta
nova. E é isso mesmo, mas não é só. Ele se cercou de um trio juvenil e
supercompetente, mas não vai a reboque deles. Reparando bem vai se
vendo os fios que ligam esse trabalho com outros trabalhos de Caetano,
de Transa a Velô, vendo a sintaxe caetaniana, seus tiques e cacoetes.
Vendo também que talvez esse seja o álbum em que ele mais se expõe,
a separação, envelhecimento, a perda do amigo (Wally Salomão),
a sexualidade.

A sonoridade é moderna, reflete o que está acontecendo no rock hoje,
urgência,rapidez, sujeira, repetição. Mas não é refém do rock, não é um
disco de rock,embora tenha inflexões roqueiras. Há espaço até para uma
batida axé como em Musa Híbrida, e o rap nessa retomada de Haiti que é
O Herói. Não é um disco de rock por que Caetano não é nem tenta ser um
cantor de rock. Sua voz não soa gritada, áspera, raivosa, nem mesmo em
Rocks, a mais rockinha do disco.Ainda bem. E a melhor faixa nem tem muito
de rock, é uma balada meio Bob Dylan, meio Raul Seixas, meio Odair José,
uma balada que faz o inventário após o fim do relacionamento, um canto
de valeu a pena, que é Não Me Arrependo.

Chico x Caetano. Com os lançamentos próximos um do outro, foi inevitável a
comparação de Carioca e de Cê. Pra mim, o disco de Chico é muito bacaninha
e tal mas não tem a vitalidade, a comtemporaneidade que tem Cê. Pode ser
que no futuro o disco de Chico seja reconhecido como um de seus
clássicos, à altura de seus melhores trabalhos e o de Caetano passe a ser
entendido como menor dentro de sua obra, uma extravagância de meia-idade.
Mas agora, o trabalho de mais relevância, que mais instiga é o Cê de Velô.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Pra começar

Pra começar, quem vai colar?
Quem vai colar? Os tais caquinhos do velho mundo, quem vai?

Acho que deveria começar com tipo um editorial e tal, contando o que vai
rolar nesse blog, quais assuntos vão ser abordados e tudo mais, mas a
verdade é que não sei bem como isso vai se desenrolar. Música, filmes,
tv, futebol, política, filosofia de botequim, tudo pode vir a ser abordado,
comentado e esclarecido com a minha visão míope das coisas. Vou tentar
manter o blog o mais atualizado possível. No mais, aguarde.

melhores de 2006 --- parte um -- Beatles

Começo de ano, hora de rever o que aconteceu em 2006. Primeiro música. Bom ano. Bons discos de velhos medalhões, boas estréias de gente nova e até a velha e boa necrofilia beatlemaníaca dando as caras no final de ano.
Beatles tá parecendo até o Roberto Carlos, todo natal lançamento novo. Depois de BBC sessions, Anthologys, edições especiais, coletâneas diversas, chegou a vez do velho mago George Martin meter a mão no ataúde e produzir mais um caça-niqueis, mas que é muito bom (vantagem nenhuma, o dna dos Beatles é quase garantia de qualidade). O disco, uma produção pra uma apresentação do Cirque de Soleil, traz diferentes cruzas de músicas, misturando a seção de cordas de uma com o vocal de outra e a parte ritmíca de uma terceira, jogando nova luzes sobre o trabalho dos fab four. Um dos discos do ano.